04 de Julho de 2009

Quanta mentira

Parece que mentor sobre a formação acadêmica virou praxe no governo Lula. Mentem os aliados e mentem ministros. Claro que todos eles vão dizer que foi um erro do digitador na hora de enviar o currículo e, em uníssono, vão falar em alto e bom som: “Eu não sabia”. . Foi assim que o Lula ensinou, não foi? É assim que eles enganam todo mundo, ou quase todo mundo.
A sequência de textos mostra essas farsas.

Malu Gaspar escreveu no Portal Exame:
Suspeito de usar a influência do avô para operar créditos consignados no Senado, José Adriano Cordeiro Sarney (ex-José Sarney Neto), diz que tem qualificação suficiente para não precisar de costas quentes. Ele afirma ter se formado em administração na Sorbonne e feito pós-graduação em Harvard. Não é bem assim. A página dos ex-alunos de Harvard na internet, de acesso restrito, informa que José Adriano fez um curso de extensão, que é equivalente a um curso de graduação, e não uma pós, como disse o neto de Sarney. É um dos poucos cursos de Harvard em que não há processo seletivo. Para ser admitido, basta fazer previamente três disciplinas na mesma escola de extensão (estrangeiros podem fazê-las à distância), desde que paguem de 650 a 1 975 dólares por disciplina. Ah, e tem mais: Harvard acaba de extinguir esse curso, chamado de certificate program. Segundo a universidade, "o interesse pelo programa caiu significativamente nos últimos anos, já que os alunos passaram a preferir o mestrado".

Depois, Malu Gaspar escreveu de novo Portal Exame:
Depois do post sobre a pós-graduação que o neto de José Sarney diz ter feito, mas não fez, recebi várias dicas de personagens que também ostentam títulos que não têm. Um deles é o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Seu currículo na página do Itamaraty na internet diz que o chanceler tem doutorado em ciência política pela London School of Economics (LSE). Em artigos para a imprensa, o ministro também usa o título “doutor em ciência política pela LSE“. Mas a informação que obtive da própria escola, por email, é que Amorim nunca concluiu seu doutorado. Em resposta ao meu pedido de informações, a LSE enviou um link para a transcrição de uma palestra feita por Amorim em 2006 na universidade. Em Londres, ele passou boa parte de sua fala se justificando: “nunca terminei meu doutorado, provavelmente por causa do meu excesso de ambição à época. O tempo da academia e da burocracia não coincidiram, então fui transferido para Londres antes que pudesse terminá-lo. Estranho, né? Por que será que Amorim diz aos brazucas que é doutor se a história, como ele contou para os ingleses, é bem diferente?

Agora uma notinha que saiu no Painel da Folha: 
Reportagem na próxima “Piauí” questiona o currículo de Dilma divulgado pelo site da Casa Civil. Ali se informa que ela é mestre em teoria econômica e doutoranda em economia monetária e financeira pela Unicamp. A universidade disse à revista que não há registro de matrícula no mestrado e que o doutorado foi abandonado.

No portal da Casa Civil, a ministra foi apresentada assim:
Dilma Vana Rousseff é Economista pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Cursou Mestrado e Doutorado pela Universidade de Campinas (Unicamp) (...)

No Sistema Lattes, que é feito a partir de informações do próprio interessado, está assim:
“Possui graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1977) e mestrado em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas (1979) . Atualmente é Secretária de Estado da Secretaria de Energia Minas e Comunicações.”
No item “Formação Acadêmica”, lê-se: 1998 Doutorado em Ciências Sociais. Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, Brasil. Orientador: ...
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Monetária e Fiscal / Especialidade: Teoria Monetária e Financeira.
1978 - 1979 - Mestrado em Ciência Econômica. Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, Brasil.
Título: Modelo Energético do Estado do Rio Grande do Sul, Ano de Obtenção: 1979. Orientador: João Manoel Cardoso de Mello.

Depois da denúncia, o portal da Casa Civil correu para mudar o texto e o currículo de Dilma ficou assim:
Economista pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Foi aluna de mestrado e doutorado em Ciências Econômicas pela Universidade de Campinas (Unicamp), onde concluiu os respectivos créditos.

Concluir créditos, mas não defender tese, significa não ter título. Não tem mestrado, nem doutorado.
Por aí se vê que essa gente mente com a maior tranquilidade, inclusive em coisa que podem ser desmentidas facilmente. Depois é só dizer “eu não sabia” que fica tudo certo. Mas, como disse Reinaldo Azevedo diante dessas mentiras todas, “no petismo, quem não tem diploma se orgulha de não tê-lo; quem se orgulha de tê-lo não o tem".

Lula vai ter um "brog"

Lula vai ter um blog na internet. Para ele, Lula, deve ser "brog". Mas se alguém está pensando que o Timoneiro de Garanhuns  vai se dar ao trabalho de escrever alguma coisa, pode ir tirando o cavalinho da chuva. Franklin Martins, ex-MR-8, contratou um jornalista para ser o "ministro do blog de Lula", como disse Reinaldo Azevedo. O nome do novo contratado é Jorge Cordeiro. E é exatamente Reinaldo Azevdo quem nos revela quem é o moço. Pelo jeito ele é chegado a fumar uma erva cuja compra por aí é crime. Mas, parodiando Brecht,  o que é esse crime perto do Planalto? E, afinal de contas, para falar por Lula, o moço vai ter que ter a "cabeça feita" o tempo todo, já que terá de escrever mais mentiras e bobagens do que costumeiramente fazia. Traficantes de Brasília já devem estar esfregando as mãos diante do possível incrmento nas vendas. Segue abaixo um post que copiei do blog do Reinaldo para que todo mundo conheça melhor o blogueiro do Lula. Eles se merecem. O chato é que nós é que estamos pagando essa gente toda.

Jorge Cordeiro, o escolhido de Franklin Martins e de Lula, é mesmo um rapaz muito sofisticado, que argumenta com grande elegância. Eu até lhe dediquei um post uma vez, que faço questão de reproduzir abaixo. Vejam um pouco, só um pouquinho, do que pensa o blogueiro de Lula, aquele que é, por assim dizer, o ministro do blog, já que, na prática, falará em nome do presidente. E olhem que cortei o trecho em que ele se referia às minhas filhas — ele não reconhece limites na hora de cumprir uma tarefa. É gente assim que Franklin Martins está contratando no blog ou TV Lula. O post foi publicado no dia 21 de julho de 2007, às 20h07. O que ele me escreveu segue em vermelho. A resposta, em azul. Como vocês lerão, ele faz a defesa do uso da maconha, um tema pelo qual ele parece ter especial apreço. Retomo depois:

Aí escreve o leitor Jorge Cordeiro (sempre segue como no original). Cortei só uma alusão que faz às minhas filhas. A canalha não tem limites:

Talvez, se vc fumasse maconha, não teria tido as tais bolotinhas na cabeça, né dodói?
Vamos ver, Cordeiro, se, ao imolá-lo, ao menos diminuo os pecados do mundo. Cordeiro não deve ter bolotinhas na cabeça, o que me faz supor que ele fume maconha. Problema dele, não meu. Como ele a consegue? Bem, aí é problema da polícia, já que o tráfico continua a ser um crime.

É um pedacinho do que essa gente pensa. Em uma ou duas linhas, todo o horror das suas utopias se revela. Observem que ele lida com a máxima de que o doente é culpado por sua doença. Por que me nasceram tumores na cabeça? Ora, porque não “relaxei e gozei” —  ao menos não à moda deles.

Exceção feita à contaminação por transfusão, a Aids, por exemplo, é uma doença associada a comportamentos de risco. Nem assim, é claro, faz sentido dizer que a culpa é do próprio doente. Não era a doença que ele buscava, mas o prazer. Daí decorre que a arma eficaz para combater a sua expansão é conjugar a divulgação de métodos preventivos (o que o Brasil faz) com o apelo às escolhas morais (o que o Brasil não faz). Há comportamentos de risco também no que respeita a formações tumorais, claro. Mas é certo que ninguém fuma, consome gordura em excesso ou deixa de se alimentar com fibras em busca de um tumor.

O remelento, vejam só, não está nem mesmo me dizendo que, se eu tivesse tido, até a descoberta dos tumores, uma vida mais asséptica, mais comedida, mais regrada, a doença não teria me atingido. Nada disso. Ele deve acreditar nas virtudes relaxantes da maconha e em seus mistérios gozosos, que teriam me faltado — daí os tumores. Pior do que isso: a minha não adesão a um comportamento que ele considera bacana fez com que eu pensasse essas coisas que penso. E as bolotas me vieram como uma punição. Cuidado: não ser petralha ou maconheiro provoca câncer.

Voltando
Cordeiro já me mandou dezenas de comentários, sempre fazendo alusão às bolotas na cabeça, das quais, felizmente, já me livrei. Mas ele, certamente, não tem como se livrar do mal que lhe corrói a alma.

E Cordeiro ainda ficou orgulhoso de sua obra. Em seu blog, um certo Fabrício comentou o meu post. Observem como eles ficam felizes quando falo deles:
“aê jorge, o reinaldo azevedo falou de você, já viu?”
E o “Jorge” do Franklin respondeu:
“eu vi, fabrício. Provoquei a onça com vara curta, ele que tanto zoa nao aguenta ser zoado… pau que dá em chico…”

Viram só? O “ministro” de Lula na Internet, sem dúvida, é um cara que sabe zoar. E eu posso lhes assegurar que essa é apenas uma parcela ínfima da notável produção desse rapaz. Sem dúvida, o nível do blogueiro já dá uma idéia da qualidade do blog. Vocês conhecerão nos próximos dias um pouco mais do pensamento profundo deste senhor.

Até outro dia, Franklin ainda se segurava um pouco. Agora o militante do MR-8 está de volta. Um blog será a sua pistola. O Jornalismo Franklinstein adere à fase terrorista. E o terrorismo, como sabem, não tem limites: doença, família, filhos… Vale tudo! Não encontrarão o interlocutor oposto aqui. Aqui, continuarei a falar de política, de teoria política, de democracia, de estado de direito, de livros que tratam desses assuntos. Como sempre. Aqui, continuarei a desmontar os farsantes, Não com a pistola na sua cabeça, mas com a lógica. Viveremos dias interessantes.

Os chapas-brancas vão adorar

Da Folha Online.

A coluna assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva começa a ser publicada em 94 jornais já na próxima terça-feira (7). Batizada de "O Presidente Responde", Lula vai responder a três perguntas de leitores. A coluna também estará à disposição do público no site da secretaria de imprensa da Presidência toda terça logo depois de publicada. Para enviar as perguntas, os leitores deverão informar nome completo, idade, ocupação e cidade de residência. As questões serão enviadas pelos veículos cadastrados por e-mail para a secretaria de imprensa.
Dos 94 jornais inscritos até agora, 69 têm veiculação diária, três são bissemanais e os outros 21 são semanais, quinzenais ou mensais. Ao todo, os jornais inscritos estão localizados em 65 municípios --19 são capitais--, de 22 estados. Segundo o presidente, ele só vai responder aos temas de "relevância e interesse jornalísticos".

Êta ferro! A coisa deve funcionar assim. ó: uma equipe vai escolher as perguntas ou mesmo fabricá-las com um nome fictício. Em seguida, escreve as respostas de acordo com os interesses da hora, e manda tudo para o Franklin Martins. Ele as lê, corrige o que acha que tem de corrigir, devolve e autoriza a publicação. Então, os 94 jornais que assinaram o serviço, – sem nenhum interesse na publicidade do governo ou na das estatais, claro –, recebem a coluna e publicam-na direitinho. E o leitor ingênuo acredita que Lula sentou em frente a um computador e respondeu tudo com a maior sinceridade. Uma vez, Richard Nixon, antes do escândalo de Watergate, solicitou uma rede de televisão para um comunicado à Nação. As três redes (NBS, ABS e CBS) negaram o pedido alegando que o assunto não era tão relevante. Já aqui no Brasil, a imprensa é louquinha para enfiar esses engodos goela abaixo do leitor.

PT faz jogo duplo
para enganar eleitor

Estrá na Folha Online.

Com um olho na eleição de 2010 e outro na governabilidade do presidente Lula, o PT faz jogo duplo ao pedir o afastamento de José Sarney (PMDB-AP) da Presidência do Senado. Dez dos 12 integrantes da bancada de senadores pretendem disputar a reeleição ou o governo de seus Estados.
É o caso do senador Tião Viana (PT-AC). Com mandato até janeiro de 2015, ele sonha com o governo do Acre em 2010, cargo que já foi do seu irmão, Jorge, por oito anos.
Ele foi um dos primeiros senadores a pedir a licença de Sarney. Mas, diante da possibilidade de o presidente do Senado renunciar e abrir uma guerra entre PT e PMDB dentro do governo, resolveu recuar. O senador reconheceu que Lula tem grande peso sobre a bancada e que é necessário defender a governabilidade.
É olhando para 2010 que alguns senadores do PT insistem que a posição da bancada é pela licença de Sarney e "que é o governo" que trabalha para permanência dele no cargo.
Nos discursos públicos do líder do partido no Senado, Aloizio Mercadante (SP), e da líder do governo, Ideli Salvatti (SC), estão as defesas mais enfáticas de Sarney. O argumento é que ele não pode ser o único responsabilizado. Com esse jogo duplo, Lula chamou a bancada para um jantar anteontem. O momento mais tenso do encontro ocorreu quando Mercadante ameaçou deixar a liderança do partido. Ele argumentava que era necessário "abrir mão das ambições pessoais em nome da governabilidade".
Mercadante é um dos nove senadores petistas cujos mandatos se encerram em 2010. Ele é pré-candidato à reeleição. Oficialmente, os petistas insistem que não voltaram atrás no pedido de licença de Sarney. Na prática, porém, pararam de defender a saída de forma contundente.
Demóstenes Torres: omissão
de Srney agrava a situação
 

A reportagem é do Estadão Online.

Presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ), o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) disse hoje que a falta de explicações convincentes, por parte do senador José Sarney (PMDB-AP), quanto à omissão na declaração à Justiça Eleitoral da casa onde mora, avaliada em R$ 4 milhões, mostra a "fragilidade" dos argumentos utilizados, até agora, para justificar a permanência de Sarney na presidência do Senado. "É um fato que agrava ainda mais sua situação", afirmou.
Demóstenes argumentou que a ocultação de bens à Justiça Eleitoral é um crime contra a fé pública. Ele questionou, igualmente, o fato de Sarney ter registrado somente no ano passado a casa que comprou do banqueiro Joseph Safra em 1997, "e o fez por um valor histórico", constatou, referindo-se ao valor de R$ 800 mil, que, segundo documentos de cartório, foi pago meio a meio pelo senador e por seu filho, deputado Zequinha Sarney (PV-MA). "Esse valor possivelmente daria para construir o muro da residência", ironizou.
Demóstenes apoiou a iniciativa do PSOL de juntar a nova denúncia à representação contra Sarney que o partido protocolou na última terça-feira, por quebra de decoro parlamentar. Quanto ao movimento patrocinado por senadores do PMDB e do PT, de transferir aos democratas a responsabilidade pelos desmandos administrativos do Senado - pelo fato de caber ao partido a indicação do primeiro-secretário da Casa -, o presidente da CCJ disse que essa tese não tem sustentação porque a Mesa Diretora é igualmente composta por parlamentares de outras legendas e, portanto, eles deveriam estar a par de contratos suspeitos de superfaturamento assinados na gestão dos senadores Romeu Tuma (PTB-SP), que entre 2003 e 2004 era do PFL, como era chamado o DEM, e Efraim de Morais (DEM-PB).
"Em todos os anos, o PT teve na Mesa o primeiro ou segundo vice-presidente, além de também ter presidido a Casa", lembrou. "O PT é um partido de retórica e, para justificar sua omissão, desqualifica os outros. O PT chegou a reconhecer que Sarney não tem mais condições de presidir o Senado, mas, depois de tomar um porre ideológico-pragmático, adotou outra posição", completou.

Ibope: Alckmin lidera
corrida ao governo estadual

A reportagem é da Folha Online.

O ex-governador de São Paulo e secretário estadual de Desenvolvimento Geraldo Alckmin (PSDB) é o favorito para governar o Estado, segundo pesquisa Ibope divulgada nesta sexta-feira. O levantamento indica que Alckmin tem entre 42% e 51% dos votos. Em segundo lugar aparece o deputado federal Paulo Maluf (PP), com percentual entre 12 e 20.
O chefe da Casa Civil do Estado, Aloysio Nunes Ferreira, apontado como pré-candidato tucano, oscila entre 3% e 4%. Já o deputado federal Ciro Gomes (PSB), possível candidato da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem entre 9% e 12%.
A atual administração do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), é aprovada por 62% dos entrevistados, contra 30% que desaprovaram. Outros 9% não quiseram ou souberam responder. A gestão do tucano é considerada ótima/boa para 47%, contra 13% que consideram ruim/péssimo e 36%, regular. Outros 4% não opinaram.
Já a gestão do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), é aprovada por 58% dos entrevistados no Estado, contra 24% que desaprovam. Outros 19% não quiseram ou souberam opinar. A administração é considerada ótima/boa para 46%, contra 14% que consideram ruim/péssima e 25%, regular. Outros 16% não responderam.
A pesquisa foi realizada entre os dias 20 e 24 de junho, com 1.008 eleitores. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.
É esse o homem que
Lula e o PT defendem

Reportagem do Estadão Online mostra que Sarney “por um erro técnico” não incluiu uma “casinha” de R$ 4 milhões nas declarações de renda dele. Lembrou-se de terrenos de R$ 60 mil, mas “esqueceu-se” da mansão que comprou de um banqueiro e onde mora em Brasília. Estou em dúvida se o esquecimento deveu-se à idade ou à impunidade...

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ocultou da Justiça Eleitoral a propriedade da casa avaliada em R$ 4 milhões onde mora, na Península dos Ministros, área mais nobre do Lago Sul de Brasília. De acordo com documentos de cartório, o parlamentar comprou a casa do banqueiro Joseph Safra em 1997 por meio de um contrato de gaveta. Em nenhuma das duas eleições disputadas por ele depois da compra - 1998 e 2006 - o imóvel foi incluído nas declarações de bens apresentadas à Justiça Eleitoral. Sobre a ausência da casa nas declarações registradas na Justiça Eleitoral, a assessoria de Sarney informou ao Estado, por escrito, que ocorreu um "erro do técnico que providencia a documentação do presidente Sarney junto aos órgãos competentes". Afirmou ainda que o imóvel consta das "declarações anuais de Imposto de Renda do presidente, entregues também ao TCU com frequência anual".
Dois documentos do próprio senador, arquivados no Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP), deixam dúvidas sobre a declaração da casa à Receita Federal. Num dos documentos, apresentado na campanha de 2006, Sarney listou seus bens, mas sem nenhuma referência à casa de R$ 4 milhões em Brasília. Ao final, ele escreveu de próprio punho que aquela lista de bens declarados à Justiça Eleitoral é a reprodução fiel de sua declaração à Receita. "De acordo com minha declaração de bens à Receita Federal em 2006", registrou o presidente do Senado no rodapé, que leva sua assinatura.
O outro documento é da campanha anterior, a de 1998. Na ocasião, Sarney juntou ao registro de candidatura uma cópia da sua declaração de IR apresentada à Receita naquele ano. O imóvel avaliado em R$ 4 milhões ficou de fora. Por ter sido comprado em 1997, o imóvel deveria constar da declaração de renda apresentada em 1998, ano-base 1997.
Por lei, as declarações de Imposto de Renda de qualquer cidadão são protegidas por sigilo fiscal. Por ser parlamentar e receber dinheiro público, Sarney envia cópia ao Tribunal de Contas da União (TCU), que também mantém esses dados em segredo. O único meio de o eleitor conhecer o patrimônio de um candidato é a declaração apresentada à Justiça Eleitoral. É quando essas informações se tornam públicas - e, ao divulgá-las, Sarney deixou a casa de fora.
O advogado Alberto Rollo, especialista em direito eleitoral, falou em tese sobre o assunto. Segundo ele, a omissão de um bem à Justiça Eleitoral pode ser interpretada como "fraude". Sem analisar especificamente o caso de Sarney, o diretor executivo do portal Transparência Brasil, Cláudio Weber Abramo, também condenou a prática. "Quem omite bens mente ao eleitor."

Dez anos depois
O valor da casa de Sarney em Brasília destoa dos demais imóveis que o senador declarou ao TRE. O imóvel mais caro listado por ele é um terreno em Santo Amaro, município da região dos Lençóis Maranhenses, no valor de R$ 60 mil. Sarney comprou a casa de Brasília em 1997, do banqueiro Joseph Yacoub Safra, dono do Banco Safra. O negócio foi fechado por meio de um "instrumento particular de promessa de venda e compra, não levado a registro".
O valor de R$ 400 mil, segundo o banco, Sarney quitou logo no ano seguinte, em 1998. A transferência do imóvel, porém, se deu apenas em 2008, dez anos depois, quando a escritura foi lavrada e registrada no cartório de imóveis. À pergunta sobre a demora em transferir a casa, o Banco Safra respondeu ao Estado: "Desconhecemos." Por meio dos assessores, Sarney avisou que não responderia sobre a razão de ter levado dez anos para registrar o imóvel no Lago Sul em seu nome.
Na escritura registrada ano passado, Safra, como pessoa física, repassa formalmente a propriedade da casa a Sarney e ao filho dele, o deputado Zequinha Sarney (PV-MA). Pelo documento, Sarney e Zequinha passaram a ter, cada um, 50% dos direitos sobre o imóvel.
Ao contrário do pai, o deputado incluiu em suas declarações de bens o direito à metade da casa na Península dos Ministros, onde o metro quadrado chega a custar R$ 3 mil. Em valores atuais, nenhuma casa onde está a de Sarney valeria menos de R$ 4 milhões, de acordo com consultores da Câmara de Valores Imobiliários de Brasília.
Se considerados os valores de 1997, quando ocorreu a transação, a avaliação da casa feita pelo governo de Brasília para fins de cobrança de IPTU, o imposto sobre imóveis urbanos, já era de R$ 593,6 mil. O valor de mercado, normalmente, é superior ao da avaliação oficial.

694 m2 de área construída
O primeiro registro do imóvel em cartório, de 1979, descreve o projeto original: um salão, sala de jantar, quatro quartos, três banheiros, copa, cozinha, despensa, quarto de empregada e dois jardins. Há ainda um subsolo, com um quarto, quatro depósitos, dois vestiários e um banheiro. São 694 metros quadrados de área construída. Na área de lazer, hoje há uma piscina.
A casa fica a 150 metros da margem do Lago Paranoá e na mesma quadra da residência oficial da presidência do Senado. Safra havia comprado o imóvel em 1992.

Moacyr Castro

As Notícias de Moacyr Castro já chegaram. Para lê-las, basta clicar no link abaixo ou aí do lado.

http://www.edmilsonsiqueira.com.br/artigo.php?id=237

 

15 anos do Plano Real:
IG entrevista Gustavo Franco

Ao longo desses 15 anos de Plano Real, o que deve ser comemorado?
Gustavo Franco - Nós nos livramos de um câncer terminal e conseguimos recuperar a saúde do paciente. Não a ponto de ele se tornar um atleta olímpico, mas isso fica para os próximos 15 anos.

O “câncer terminal” a que o senhor se refere é a hiperinflação?
A inflação média do primeiro semestre de 1994 foi de 7.300 % ao ano. No primeiro ano do Real, conseguimos trazer a 33% ao ano, nos primeiros 12 meses terminados em julho de 2005, e mais um tempo para trazê-la abaixo de 5%. Finalmente em 1998, a gente conseguiu 1,7% ao ano para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Ter chegado a esse nível foi fundamental para conseguirmos desindexar os contratos e a cabeça das pessoas. Provou-se que o Brasil poderia ter uma moeda e inflação de primeiro mundo. 
Ninguém acreditava nisso em 1994. Uma vez provado, as pessoas passaram a se comportar como se isso fosse a normalidade e, a partir daí, tudo ficou mais fácil.
E o que a equipe econômica esperava comemorar, mas que não pode ser comemorado?
Foi uma guerra, especialmente nos primeiros tempos. Como em uma guerra, você tem batalhas que ganha, mas perde tropas, tem gente ferida. Algumas soluções tomadas poderiam não ser as ideais, mas eram as possíveis. Fizemos o melhor dentro de circunstâncias difíceis. Não consigo imaginar como seria, se tivéssemos feito coisas diferentes. Em situações como aquela, não dava para fazer o ideal. Às vezes, ganhamos de 1 a 0, com gol de mão no final. Outras vezes, a vitória vem mais fácil. Foi um longo campeonato, mas o importante foi ganhar o campeonato.

Como o Plano Real vai ficar marcado na história brasileira?
Eu acho que já marcou e, aliás, está marcado no bolso da população brasileira. Vai ser, provavelmente, a nossa moeda para o resto da vida. Não vejo nenhuma razão para a gente mudar de moeda. Possivelmente, somos recordista mundial em mudança de moeda. Tivemos oito padrões desde 1942, quando o Cruzeiro substituiu os Réis.

E como o senhor espera ser lembrado?
Fui um mero membro de uma equipe. Tive uma responsabilidade dentro de um grupo grande de pessoas. Não acho que seja importante a gente ressaltar o sentimento de posse, já que um elemento de importante apreço pela coisa publica é justamente ter clareza que a coisa não é sua. Não tem coisa mais pública que a moeda. A coisa é do país. Hoje, é importante que o Real seja visto como uma criação do Brasil, não do PSDB ou de ninguém.
Quais são os desafios para a economia nos próximos 15 anos?
Sem dúvida, o maior desafio para os próximos 15 anos é o crescimento sustentado. Ainda não conseguimos nos desintoxicar inteiramente do problema que gerou a inflação no passado, e que hoje gera o juro. Os juros no Brasil ainda são muito altos e a razão para isso é a situação fiscal, que ainda não é a melhor que a gente pode ter e é onde a gente tem de progredir. Se tivermos finanças publicas de primeiro mundo, teremos juros de primeiro mundo e um crescimento muito melhor.
O senhor acredita que o Real pode ser uma moeda regional?
Eu acho que sim. Não sei se uma moeda de uso nos contratos de comércio exterior, mas seguramente o Real já é uma moeda relevante para o investidor financeiro pelo mundo. Acho muito difícil retirar o dólar do seu papel de moeda de comercio exterior, mas o Real vem avançando gradativamente como uma dessas outras moedas relevantes e esse papel só tende a se ampliar no futuro.
Quais eram os temores da equipe econômica às vésperas do lançamento do Real?
Os temores todos (risos). A situação era muito difícil e tudo poderia dar errado. Eu acho que nós aproveitamos bem os insucessos anteriores para fazer uma bela síntese de boas ideias, que no passado tinham sido implementadas, mas sem sucesso, por faltar um compromisso mais sério com a saúde da moeda. Mas tinha uma infinidade de detalhes da fase de URV, que era uma operação delicada, que mexia com a vida de todo mundo, e tudo precisava ser feito com precisão para não haver desequilíbrio. Depois disso, a partir de 1º de julho de 1994, era um combate à inflação mais convencional, com política fiscal, monetária, cambial, em que muita coisa poderia dar errado. Tínhamos ainda privatizações, uma crise bancária, que a gente conseguiu não deixar estourar e levar as coisas relativamente sem tumulto até resolver o problema. Foram mais de 100 bancos liquidados nos primeiros anos do Real sem que isso tivesse causado ruptura na economia. É só olhar o que acontece hoje para perceber o impacto de uma crise bancária na economia.
No último domingo (28), o jornal O Globo publicou que os temores de um possível fracasso do Real levaram a equipe econômica a imprimir 130 milhões de cédulas de R$ 100. Essa história é verdade?
Procede, mas há um certo exagero. Havia uma diferença de opinião sobre quanto seria necessário imprimir, porque havia uma estimativa de qual seria a inflação do Real, quanto tempo demoraria para chegarmos a uma inflação igual a dos Estados Unidos. Na prática levou 30 meses, mas poderia ter sido 60. Se levasse 60 meses, (o Real) morreria no caminho. Chegar abaixo de 10% em cerca de 22 meses foi o suficiente para a gente não precisar (das notas). Para assegurar o sucesso do plano, a nota de R$ 100 ficou lá sobrando, mas não é dinheiro jogado fora, porque acabou entrando em circulação. Até hoje, temos nota de R$ 100 assinada pelo (Pedro) Malan (ex-presidente do BC entre 1993 e 1994). Eu mesmo não assinei nota de R$ 100, quando fui presidente do BC.

O Real foi antecedido por seis planos desde 1986. Quais fatores fizeram com que ele não fosse apenas mais uma tentativa frustrada?
O fundamentalismo foi o diferencial. Foi o diagnóstico de que a inflação brasileira não era acidental, nem estrutural. Era, na verdade, o sintoma óbvio do excesso de fabricação de moeda, decorrente da situação fiscal fora de controle, como são todas as inflações que a história da humanidade registra. Durante outros planos, quisemos nos enganar que a inflação brasileira era diferente, e não é não. Então, o primeiro dos planos que assumiu que tínhamos uma doença fiscal foi o que deu certo. Aliás, como em qualquer tratamento médico, começa acertando o diagnóstico para não usar o remédio errado.

Desde o seu lançamento, o Real já enfrentou, pelo menos, oito crises de diferentes impactos e proporções [México (1995), Ásia (1997-1998), Rússia (1999), Argentina (2001), 11 de setembro (2001), Apagão (2001), Eleição de Lula (2002) e EUA (2008-2009)]. Podemos dizer que temos uma moeda blindada contra crises?
É presunção falar de blindagem. Acho que não. Porém já dá para dizer com relativa segurança que o risco de volta à inflação de dois, três, quatro dígitos está afastado. Desde 2002, pode-se dizer que está afastado. Desde então, a gente vive um sistema de metas de inflação que tem os seus ciclos de subida e descida de juros com a inflação que jamais ultrapassou 10%. Desde 2003, 2004 a inflação está abaixo de 7% aproximadamente, e agora possivelmente caindo abaixo de 4%. Nesse sentido, temos todas as condições para manter as coisas sob controle. Vamos ter crises no futuro, a gente não sabe bem de onde ou de que natureza, mas é uma certeza no sistema em que a gente vive. Mas agora o organismo está muito mais sadio do que jamais esteve. Por isso, tem toda condição de vencer a próxima crise, como venceu essa.

15 aninhos 

Talvez a crise por que passa tenha afetado o Correio Popular, outrora tão entusiasmado com a estabilidade econômica proporcionada pelo Plano Real, criado em 1993, com a troca da moeda ocorrendo no primeiro dia de julho de 1994, data que ficou como sendo a do aniversário do plano. O jornal, até hoje, 3 de julho, não escreveu uma linha sequer sobre os 15 anos do plano (com exceção de uma notinha no Xeque - Mate), ao contrário do que fez grande parte da mídia no país. Estadão, Folha, Globo, TV Globo, TVs de notícia a cabo, rádios como a CBN e outros prepararam reportagens especiais, entrevistas e artigos sobre o aniversário do plano que conseguiu acabar com a inflação e mudou a face econômica do país.
Aqui no blog eu não deixei de registrar entrevistas tiradas de alguns jornais online com Fernando Henrique Cardoso, Edmar Bacha e um excelente artigo de Carlos Alberto Sardenberg que mostra que, não fosse o Plano Real, o governo Lula teria sido pífio.
E, pensando bem, sabe-se lá o que poderia ocorrer com uma hiperinflação em plena era de desenvolvimento mundial, já que as “cabeças pensantes” do PT jamais produziriam um plano como o que foi feito pela equipe comandada por Fernando Henrique Cardoso. Aliás, é bom lembrar que o Plano Cruzado, aquele treco absurdo de tabelar preços numa economia de mercado, foi recebido com lágrimas de felicidade na televisão, em horário nobre, pela economista Maria Conceição Tavares, uma das pitonisas do PT (na época ela estava no PMDB, mas qual a diferença?). Além disso, outros economistas do PT (Mercadante era um deles) prepararam um documento para a campanha de Lula naquele ano dizendo que o Plano Real era um martírio para o trabalhador, um engodo eleitoral e que acabaria após as eleições. Como o texto era totalmente irreal (sem trocadilho) e o povo percebeu que a moeda era forte e os preços até baixaram, FHC foi eleito no primeiro turno contra um Lula que ficou falando sozinho. E, não fosse o real, talvez Lula, eleito depois em 2002, cometesse outro cruzado. Está aí o Sarney ao lado dele como parceiro, aliado e algoz, numa possível confirmação dessa hipótese.
Mas nem tudo está perdido por aqui: o PSDB prepara para este mês um evento em Brasília para comemorar os 15 anos do Plano Real.

Arraiá sem civilidade

Recebi de um leitor do Blog a reclamação abaixo. Realmente Lei do Silêncio diz que barulho depois das 22h é proibido. Mas parece que algumas autoridades se sentem, como Sarney segundo Lula, “diferenciadas”, e acham que podem burlar a lei. Infelizmente em Campinas o Ministério Público é fraco e muitos abusos cometidos ficam só na indignação de moradores prejudicados. Claro que a festa junina pode acontecer e no mesmo local que é grande. Só é preciso botar os equipamentos de som dentro de um volume civilizado. Mas exigir civilidade de certas autoridades de Campinas é malhar em ferro frio. Segue o protesto.

Bom dia, Edmilson. Gostaria de utilizar um espaço no seu blog para protestar contra a insensibilidade dos " governantes" desta cidade no que toca ao "Arraiá do Nhô Tonico", que vem sendo promovido há alguns anos na Praça Arautos da Paz, com parque de diversão e tudo em meio ao gramado e de árvores recém plantadas. Nas primeiras edições, a festa (ou bagunça) terminava por volta das 22h00 ou 22h30 durante os dias da semana. O tempo foi passando e a baderna se alongando. No último domingo só terminou por volta das 00h35 (segunda-feira) após o locutor comentar algo do tipo: " Vocês querem continuar? Amanhã é dia de trabalhar, gente!" Em que pese o caráter beneficente da festa, tudo tem limite: onde está o respeito ao direito universal do silêncio? A liberdade de um vai até onde começa a do outro, ou não? Será que nesta cidade sem governo e sem leis vale tudo mesmo?

PSDB acerta regras para
prévias, mas prefere acordo

Está no Estadão Online.

A Executiva Nacional do PSDB aprovou ontem, por unanimidade, a regulamentação das prévias internas no partido para a escolha do candidato à Presidência da República em 2010, caso não haja consenso entre os dois nomes da legenda que podem disputar a indicação, os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG). O texto, elaborado pelo secretário-geral do PSDB, Rodrigo de Castro (MG), foi lido na presença de oito senadores e 14 deputados federais, além de integrantes da cúpula partidária.
De acordo com as regras, será levado em consideração o peso eleitoral de cada Estado para a computação dos votos. Ou seja, Estados como São Paulo e Minas, primeiro e segundo colégio eleitoral do País, respectivamente, terão peso maior. Apesar de o documento ainda não explicitar quem poderá participar da consulta, foi definido setembro como prazo para definir o tamanho do colégio eleitoral. Ainda não se sabe se poderão votar todos os filiados ou apenas os que detêm mandato eletivo. Serão considerados filiados aqueles que ingressaram no partido até outubro de 2008. O objetivo é evitar filiações em massa na véspera de uma disputa.
O texto também estipulou setembro como prazo final para o partido marcar as prévias, que poderão ser realizadas entre dezembro e fevereiro do ano que vem. A data já havia sido acertada em conversas entre Serra e Aécio. “Escutamos vários Estados durante todo o processo e buscamos a solução mais equilibrada possível”, declarou o deputado Rodrigo de Castro.
As prévias partidárias eram uma demanda de Aécio. Grande parte do PSDB, no entanto, vê com ceticismo a consulta interna. A aposta mais comum no partido é que haverá uma composição entre Serra e Aécio até o ano que vem. Tucanos veem uma constante aproximação entre os dois, principalmente após a melhora no desempenho da pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, nas pesquisas de intenção de voto. O mineiro, no entanto, tem descartado publicamente compor com Serra uma chapa puro-sangue, na qual seria candidato a vice do paulista. Mas afirma que a legenda marchará unida rumo às eleições de 2010.

"Grosseira e desrespeitosa"

Da Folha Online

Destratado por Dilma Rousseff em reunião sobre a Transnordestina, o secretário-executivo da Integração Nacional, Luiz Antonio Eira, pediu demissão em caráter irrevogável, informa o "Painel" da Folha, editado por Renata Lo Prete (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL).
Segundo a coluna, a cena, presenciada por empresários e pelo governador Eduardo Campos (PSB-PE), se deu quando Eira ponderou que, diante do novo cronograma ali acertado (a ferrovia não ficará mais pronta em 2010), seria necessário ajustar também os desembolsos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste, hoje todo comprometido com a obra.
"Se o Ministério da Integração acha que vai dispor desses recursos, nem por cima do meu cadáver", gritou Dilma. Eira tentou se explicar. Os gritos aumentaram, e os termos pioraram. Quem viu descreve a atitude da ministra como "grosseira" e "desrespeitosa".
O Painel ainda registra que Eira afirmou que "ou respondia a ela na hora, ou deixava o cargo". Eira é consultor legislativo e deve retornar à Câmara. Seguno o jornal, "o episódio criou mal-estar com o PMDB, partido do ministro da Integração, Geddel Vieira Lima, e objeto do desejo de Lula para formar chapa com Dilma em 2010".

Lula está desinformado,
diz presidente do PSDB

Quem fala sobre o que não sabe, acaba ouvindo o que não quer. Se bem que Lula talvez nem tome conhecimento desse texto da Folha Online. Se ele tem, como disse, azia ao ler jornais, se for navegar na internet terá vertigens. Além do mais, ele tem coisas muito mais importantes para fazer pelo país, como receber um time de futebol no Planalto.

Presidente do PSDB critica Lula
O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), criticou hoje o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disse ontem que a oposição queria ganhar o comando do Senado "no tapetão". Guerra disse que é uma afirmação "equivocada e desinformada".
"O presidente disse isso lá fora. A nossa impressão é que o presidente anda viajando demais e desinformado sobre o que acontece aqui", disse Guerra.
Segundo ele, não existe a possibilidade de o PSDB ganhar a presidência do Senado no tapetão. "Se o presidente Sarney renunciar, o vice-presidente assume por uns dias e vai ter que fazer eleições depois. Se o presidente Sarney se licencia, o vice-presidente assume para num prazo determinado,que também é breve, fazer novas eleições. Então é uma falsa questão. O PSDB não quer tomar o poder, muito menos no tapetão. O PSDB quer que o Senado se resolva e se resolva para o bem do Brasil."
O presidente do PSDB afirmou que precisa resolver o problema da falta de autoridade no Senado. "Nós pedimos que ele se afastasse por 60 dias e que, ao longo desses 60 dias, se desse uma profunda reforma no Senado. [...] Para que o presidente Sarney voltasse do seu afastamento para tomar uma decisão sobre o que fazer e o que não fazer, enfim, impor a sua autoridade. O problema central é que não há autoridade no Senado agora e nós não podemos ficar nessa situação sem autoridade."

15 anos do Plano Real:
Lula deixa tudo por fazer

O artigo abaixo é de Carlos Alberto Sardenberg, da CBN. Simples, didático e direto: Lula fez pouco, muito pouco apesar da grande chance que teve. FHC deu a largada, mas o que Lula deveria fazer, ainda está para ser feito.

FHC e Lula

Carlos Alberto Sardenberg

O presidente Lula patrocinou dois aperfeiçoamentos importantes no conjunto do real. Primeiro, o programa de compra de reservas, iniciado em 2003, quando começaram a sobrar dólares nas contas brasileiras. O segundo foi elevar o presidente do Banco Central ao nível de ministro de Estado, o que conferiu mais autonomia e poder ao condutor da política monetária. Outro avanço paralelo foi o conjunto de reformas microeconômicas, como as novas regras do crédito imobiliário, que melhoraram o ambiente de negócios.
O resto é FHC. A responsabilidade fiscal, primeira perna do tripé, começou a ser construída em 1995, com a reestruturação da dívida de estados e municípios, encorpou com as metas de superávit primária (iniciadas em 1998) e completou-se com a crucial Lei de Responsabilidade Fiscal, de 2000.
O câmbio flutuante começou torto, em meio à crise de 1999, mas acabou emplacando. E o regime de metas de inflação, a terceira perna, começou a funcionar há dez anos. Os instrumentos paralelos foram as reformas, inclusive da Previdência, as privatizações, o saneamento do sistema financeiro (1995) e a renegociação da dívida externa pública.
Compreende-se que o governo Lula se tenha fingido de morto diante dos 15 anos da introdução da nova moeda, comemorados ontem. Sobretudo porque as próximas eleições presidenciais colocarão de novo PSDB e PT frente a frente.
Foi a mesma história no início de 1994, quando o então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, expôs os detalhes do Plano Real ao então presidente do PT, José Dirceu. FHC buscava apoio para o que considerava um programa nacional. Dirceu queria saber se o PSDB teria candidato à presidência.
Na ocasião, os tucanos nem tinham candidato. Mas o PT calculou que um sucesso econômico, ainda que provisório, daria forte sustentação ao PSDB, assim como o efêmero cruzado havia dado uma ampla vitória eleitoral ao PMDB, em 1986. Acrescente-se que os economistas do PT não eram preparados para esse tipo de teoria (a que sustentou o real) e Lula acabou sendo levado a um brutal erro de avaliação. Disse que o real era um pesadelo para os trabalhadores, isso quando os mais pobres se beneficiavam de um enorme ganho de renda com a súbita estabilização da moeda.
O cálculo político do PT estava certo. O real deu duas vitórias a FHC (94 e 98). Mas a análise econômica estava completamente equivocada, um erro no qual o PT perseverou ao longo do tempo. Criticou e combateu no Congresso e nos tribunais praticamente todas as medidas do Plano Real. Para esquecer tudo quando Lula chegou à Presidência.
Como foi possível fazer dessa transição um movimento crível para a sociedade? Primeiro, Lula foi ajudado pelo enorme desgaste que sucessivas crises, locais e internacionais, impuseram ao governo FHC. Inclusive a última, de 2002, quando o mercado se deteriorou pelo medo das políticas econômicas até então pregadas pelo PT, isso gerando inflação e crise externa, que, ironicamente, acabaram ajudando o próprio Lula.
Sua trajetória foi aberta, ainda, pela dificuldade do candidato tucano, José Serra, em lidar com o desgaste de um governo do qual participara e do qual tentou se distanciar.
Mas como os eleitores aprovaram um governo Lula que, eleito em nome da mudança, manteve intactas as bases da política econômica? Dois fatores essenciais: a fantástica onda de crescimento mundial que carregou um Brasil já normalizado com a estabilidade macroeconômica; e a enorme distribuição de renda promovida por Lula com a ampliação do Bolsa Família e, sobretudo, com os aumentos reais do salário mínimo (o governo paga o mínimo para quase 20 milhões de aposentados, pensionistas e outros beneficiários). E mais, paralelamente, as contratações e aumentos para o funcionalismo público.
Mas o fato de Lula ter aderido aos pressupostos do real, primeiro, por medo e, depois, porque estavam funcionando, e nunca por convicção, trouxe um preço para o País. Lula simplesmente não avançou além daqueles dois aperfeiçoamentos na área do BC. Nenhuma reforma importante, nenhuma providência para continuar a desindexação da economia, nenhum progresso na qualidade dos gastos públicos, nada de reforma tributária. Tudo por fazer.

"Doutor” Hélio: 100% de aumento
na conta de água em 5 anos

O Brasil vive hoje com uma inflação acumulada de menos de 5% em doze meses. Mas, mesmo assim a Sanasa, empresa municipal de Campinas, responsável pelo abastecimento de água e recolhimento, afastamento e tratamento de esgoto da cidade, decidiu aumentar sua tarifa em 11,80%, ínidce que será acrescido ao preço atual a partir de 30 de julho. Vale ressaltar que a Prefeitura deu um aumento salarial aos seus servidores de 3% agora e mais 2,78% em dezembro. Ou seja, enquanto o lado pagador do governo do “doutor” Hélio decide pagar menos que a inflação do período aos servidores, o lado recebedor escancara a bocarra para mais que dobrar o índice da inflação no preço da tarifa de água e esgoto.
Mas não é só: com esse aumento injustificável de 11,80%, a Sanasa bate um recorde, talvez nacional: nos cinco aumentos da tarifa da Sanasa realizados desde 2005, quando assumiu o governo, o “doutor” Hélio mais que dobrou o valor da tarifa. É isso mesmo que você está pensando: 100% de aumento em cinco anos, quando a inflação total deve ter ficado bem longe da metade disso.
Com o aumento, Campinas deve estar pagando hoje a tarifa mais cara do Brasil. A Sanasa tem quase o dobro do número de funcionários necessários para tocar a empresa e, além disso, vem se constituindo num caixa temporário da própria Prefeitura, que constantemente apela à empresa par cobrir pagamentos emergenciais ou não.
Saneamento básico, como se sabe, é essencial para a saúde da população. Sem água tratada e distribuída e sem recolhimento e afastamento de esgoto, uma população fica à mercê de inúmeros tipos doenças. Isso, claro, qualquer pessoa minimamente informada sabe. E médicos, obviamente, sabem muito mais. Quem tem água tratada nas torneiras e rede de esgoto não quer ficar sem elas de jeito nenhum. E sabe que se ficar sem pagar, o corte é inevitável. Vai daí, que o “doutor” Hélio - aproveitando seu lado ganancioso e desprezando seu lado médico -, em cinco anos, dobrou o valor que o povo paga para ter água e esgoto em casa.
O primeiro aumento, ainda em 205, que beirou os 40% e foi um absurdo, teve uma estratégia perversa. O então presidente da Sanasa, Carlos Aquino, me disse, num almoço ainda no primeiro ano do governo, que havia recebido um “conselho” do prefeito: “Ele me disse para aumentar bastante a tarifa no primeiro ano, porque assim, até chegar a eleição, o povo já esqueceu”. Esse é o “doutor” Hélio.

José Sarney exige e consegue
apoio do PT para não renunciar
 
A reportagem é do Estadão Online

 

Ficou para esta sexta-feira, 3, o encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente José Sarney (PMDB-AP). Antes de falar com Sarney, Lula quer enquadrar o PT, em jantar com a bancada dos senadores marcada para esta quinta-feira,  às 20 horas. A preocupação do governo é preparar terreno para a conversa com Sarney, uma vez que o senador já comunicou ao governo que só ficará na presidência da Senado "se tiver tropa". Ele quer a garantia do apoio dos petistas.
Para o governo, a permanência de Sarney, envolvido em denúncias de irregularidades no Senado, é essencial para as votações de interesse do governo na Casa e fundamental na aliança eleitoral para eleger a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à sucessão de Lula. Por isso, a avaliação de ministros e de petistas interlocutores de Lula é de que o esforço do presidente no encontro será o de garantir apoio do governo a Sarney.
Os rumores de renúncia de Sarney durante todo o dia de quarta-feira serviram de recado ao governo e foram entendidos como uma espécie de ameaça. Ciente da importância que tem para o governo e para Lula, o presidente do Senado deixou claro que se não tivesse o apoio de Lula e do PT, renunciaria.
Sem Sarney como aliado, o projeto de eleger Dilma ficaria comprometido. O partido é fundamental nos palanques e apoios estaduais. No âmbito do Senado, o risco da saída de Sarney seria a eleição de um nome da oposição ou de um partido da base, mas sem uma postura afinada com o governo. Isso, segundo avaliação de interlocutores de Lula, significaria seguidas derrotas para o governo nas votações na Casa.
Nesse quadro, a avaliação governista é que a crise no Senado é política, com a oposição tentando desestabilizar a aliança do governo com o PMDB e assumir o comando da Casa para promover dificuldades para Lula. Se a crise fosse ética, argumentam interlocutores de Lula, a defesa dos partidos que querem o afastamento de Sarney, PSDB, DEM, PDT, seria no sentido de renúncia de toda a Mesa Diretora e não apenas de seu presidente.
Na mesma avaliação, a postura da bancada do PT no Senado é vista como uma luta pela sobrevivência política dos senadores. Mais da metade da bancada - dez senadores vão disputar eleição no próximo ano - quer evitar o desgaste político de defender Sarney.
A bancada petista, que chegou a pedir o afastamento de Sarney ontem, está reunida novamente no Senado. Os petistas avaliam a posição de ontem à noite, quando, após encontro com Sarney, o líder da bancada, senador Aloizio Mercadante (SP), teve de anunciar um recuo na posição.
Apoio de Lula deve
garantir cargo de Sarney

A reportagem é do Estadão de hoje.

O encontro do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não aconteceu, mas no Congresso Nacional já dão como certa a permanência do peemedebista no cargo. A avaliação é de que Sarney está praticamente consolidado na presidência da Casa com o apoio político de Lula e do PT e, ao mesmo tempo, para dar uma satisfação à opinião pública, o peemedebista adotará medidas administrativas moralizadoras em resposta às denúncias de irregularidades.
A bancada do PT vai se reunir com Lula em um jantar no Palácio da Alvorada hoje à noite, quando acertará a relação do partido com o PMDB e com o presidente do Senado. O encontro de Lula com Sarney ficou para amanhã, depois que Lula tiver deixado claro a necessidade de a bancada petista apoiar Sarney em nome de um projeto maior para o governo e para o partido. "Nossa bancada considerava que um afastamento (de Sarney do cargo) temporário por 30 dias poderia contribuir para que o Senado reencontrasse o ambiente político para as mudanças", afirmou o líder do PT, senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Sarney não aceitou a sugestão.
Com o interesse do governo na aliança eleitoral para 2010 e com a necessidade de ter o PMDB como parceiro na condução dos trabalhos no Senado, o PT considera a posição da bancada pelo afastamento de Sarney apenas uma recomendação não atendida e insiste em propostas para mudanças administrativas no Senado.
A disposição de Sarney em fazer essas mudanças atende à segunda parte da proposta petista e serve como discurso para um recuo do PT. O senador Tião Viana (PT-AC) está responsável, em nome do partido, pela elaboração de um projeto de "Lei de Responsabilidade Administrativa e Fiscal" a ser apresentado na próxima semana.
O calendário no Congresso ainda será um fator que beneficiará esse quadro para Sarney. A partir do dia 18 haverá recesso no Legislativo, esvaziando o Congresso e a temperatura política. Até lá, aliados de Sarney esperam que não seja publicada nenhuma nova denúncia de irregularidade no Senado envolvendo o nome do presidente da Casa.

Facínora com ordem de prisão
também é bajulado por Lula


Omar AL BAshir, condenado pelo Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra e contra a humanidade, é outro que entra na lista de “democratas” de Lula. A reportagem é da Folha de hoje. A íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL.

O ditador do Sudão, Omar al Bashir, que teve ordem de prisão decretada pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra e contra a humanidade, quer aprofundar a parceria econômica com o Brasil e contar com o apoio político do presidente Lula. Bashir assistiu ontem ao discurso de Lula na abertura da cúpula da União Africana (UA), em Sirte, cidade costeira da Líbia, na qual o presidente brasileiro defendeu a não ingerência nos assuntos domésticos dos países do continente.
Embora seja signatário do TPI e tenha reiterado que cumprirá a ordem de prisão contra Bashir se ele for ao Brasil, o Itamaraty mantém uma posição cautelosa em relação ao indiciamento, pois acredita que ele pode prejudicar os esforços para pacificar o Sudão.
Abordado pela Folha pouco antes da abertura da cúpula africana, o ditador sudanês respondeu com um sorriso à pergunta sobre o que espera do Brasil. "Temos uma parceria na área de agricultura, para a produção de etanol, e queremos aprofundar as relações econômicas", disse Bashir. Sobre a sua própria situação e a ordem de prisão do TPI, o sudanês não escondeu que busca no fortalecimento dos laços com o Brasil mais que cooperação econômica. "Conto com o apoio do presidente Lula", disse Bashir, ao ser indagado sobre o que espera da posição do Brasil sobre seu indiciamento.

Lula lambe o saco
do ditador da Líbia.

Outros políticos convidados nem apareceram à Cúpula Africana. Lula ficou só e fez um discurso quer dá nojo. A reportagem é do Estadão Online.

Lula ataca mídia e chama Kadafi de ''amigo e irmão''

Único convidado de honra presente à Cúpula da União Africana, aberta ontem, em Sirte, na Líbia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva responsabilizou os países industrializados pela crise do sistema financeiro e pelo "caráter perverso da ordem internacional". O discurso, aplaudido por chefes de Estado e de governo e por líderes tribais africanos, foi sucedido por críticas à imprensa pelo que considerou "preconceito premeditado" por sua proximidade com ditadores da região.
A participação do presidente na cúpula, que está em sua 13ª edição, foi ressaltada pela ausência dos demais convidados especiais. Silvio Berlusconi, primeiro-ministro da Itália, e Ban Ki-Moon, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), cancelaram suas participações, anunciadas como certas pelo cerimonial do evento até a véspera.
Outro ausente foi Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, cuja falta não foi justificada publicamente. Ahmadinejad ficaria sentado ao lado de Lula, que por sua vez ficaria ao lado do ditador líbio Muammar Kadafi, que está no poder desde 1969, quando assumiu o controle do país em um golpe de Estado aos 27 anos de idade.
Lula começou seu discurso dizendo a Kadafi: "Meu amigo, meu irmão e líder". Logo de início, o presidente elogiou "a persistência e a visão de ganhos cumulativos que norteia os líderes africanos" e ressaltou que "consolidar a democracia é um processo evolutivo".
A partir de então, o presidente deu início a repetidas críticas aos países industrializados. Lula afirmou que "a crise financeira e econômica mundial revela a fragilidade e o caráter perverso da atual ordem internacional" e parafraseou o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, ao sustentar que "o consenso de Washington fracassou".
"As instituições e pessoas que sempre foram pródigos em nos dar conselhos hoje estão contabilizando a falência de suas políticas", sentenciou Lula. "Durante muito tempo, os países ricos nos viram apenas como uma periferia distante e problemática. Hoje somos parte essencial da solução da maior crise econômica das últimas décadas. Uma crise que não criamos."
Minutos depois, em entrevista a jornalistas brasileiros, Lula respondeu às críticas feitas sobre sua proximidade com ditadores africanos, como Muammar Kadafi. O presidente ironizou a imprensa pelo não comparecimento de Ahmadinejad, afirmando que as críticas que recebera eram "preconceito premeditado".
Lula disse ainda que ausências como a do líder iraniano não tinham sido boas. "Eu não trabalho com preconceito, porque se trabalhasse não estaríamos nem na ONU, tamanha é sua diversidade", afirmou o presidente.
Com a cúpula, que tem como tema oficial o desenvolvimento da agricultura no continente africano, Kadafi pretende emplacar seu projeto de criação dos Estados Unidos da África. A ideia não é consenso entre membros da União Africana.

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